- Amor, vou no banheiro fazer xixi.
- Pode ir, benzinho, vou te esperar aqui na sala.
Larirarirá, larirarirá, larirarirá, um minuto, já é tempo de fazer xixi… Porque ela tem sempre que atrasar, desse jeito a gente vai acabar perdendo a festa. Se bem que seria ótimo perder essa festa… Ah não, pensando bem, todas as amigas gostosas delas vão estar lá… Das dez amigas dela, eu comia cinco por beleza, uma porque é inteligente, as outras três para fazer uma graça.. Sobrou uma… A Paulinha… Puta que o pariu, a Paulinha eu não deixava nem meu cachorro comer. Mas bom, com nove amigas comíveis, melhor eu me garantir, deixa eu dar mais uma olhadinha no espelho vai. Vamos ver, cabelo tá legal, sorriso…? Beleza, tá tudo limpo. Agora cara de dominador, vai. Cara de quem te comeria agora se você não fosse melhor amiga da minha namorada… Mas namoros terminam né? Então, testando, piscadinha para a melhor amiga dela… . Três minutos no banheiro, é mais do que suficiente para ela fazer xixi…
- Amor! Vamos?
- Tô indo, Rafael, já tô indo.
Não, Rafael, vira essa boca para lá, ela disse que ia fazer xixi então é só isso que ela está fazendo. Não, não pensa naquilo, ela não faz essas coisas… Pára, Rafael, pára… Ufa, não pensei o pior. Em dois anos de namoro, ela nunca fez aquilo, certeza, porque agora precisaria? Sete minutos, porra, fodeu. É cocô, merda…
- Amor! O que tá acontecendo ai? Você disse que era xixi…
- Calma, Rafael, eu já to saindo.
Desgraçada, não pode ser. Namorada minha não faz… Pelo menos não na minha frente, quer dizer, na minha casa. Guarda essas necessidades pra fazer na casa dela. Que sem vergonha, nem se dá ao respeito, uma menina dessa não tem pai nem mãe, não teve educação… Agora ela vai sair do banheiro, eu vou sentir aquele cheiro… Será que é fedido? Se ela tem vergonha na cara, não é. Mas daí ela vai sair do banheiro, e eu vou encarar ela olho no olho, não vou resistir, vou ter que imaginar a cena… Sentada na privada… Limpando a bunda. Pára, Rafael, esquece isso. São dois anos juntos, pensa nas coisas boas… Pensa na melhor amiga dela… Isso, gostosa ela, não é mesmo? Ela não caga, certeza, ela não caga, não é que nem essa daí… Pô, Rafael, mas você também, onde vai arrumar uma mulher dessa, que caga… Da próxima vez vou ligar para os ex-namorados pedindo referências. Doze minutos. Vou ter que perguntar.
- Amor! Você, por acaso, está fazendo…
- Rafael, já mandei você me esperar. Não enche, eu tô sendo o mais rápida que consigo.
Opa, opa, aí já é demais. Indo mais rápida que consegue? Como assim? Se é pra cagar, caga direito. Pô, ela tá limpando a bunda com desleixo, vai sair tudo na calcinha, daí, depois da festa, quando a gente for… Não, melhor não. Hoje eu vou alegar dor de cabeça, brochismo pós-alcoolismo, sífilis, gonorréia, qualquer coisa, só para não ter que tirar a calcinha dela e ter surpresas desagradáveis. Vê só como são as coisas. Depois de dois anos, relaxa né? Passou todo esse tempo sem cagar, só para me ver feliz, e agora acha que pode, quem deu essa liberdade para ela? Daí reclama que acaba o romantismo. Como você quer que eu escreva uma história de amor com uma princesa que caga? Não dá, minha filha, não dá. Pelo menos amanhã, quando a gente for viajar, ela já vai ter tomado banho. Ai sim, um fim de semana inteiro para aproveitar na minha casa de praia.
- Amor. Calma, não quero brigar. Não sei que o que você está fazendo aí dentro, mas saiba que você pode demorar o tempo que for. Faz o que tiver que fazer direitinho.
- Rafael, cala a boca, me deixa em paz.
Em paz, acho que ninguém está em paz por aqui. Eu, esperando minha namorada fazer… há vinte minutos. E ela, fazendo… Há vinte minutos… Sem dar sinais de que está acabando… Eu prometo que, se for fedido, eu já termino aqui mesmo… Descarga! Ela deu descarga! Outra! Mais outra! Três descargas! Quem precisa de três descargas? De que tamanho era essa merda..? Que foi que você comeu? Meu Deus, minha namorada precisa dar três descargas para mandar a merda dela embora. Como eu não percebi isso antes? Tá destrancando a porta, foram 25 minutos, e eu não ouvi barulho de torneira… Será que ela lavou a mão?…
- Pronto, meu amor, desculpa a demora, é que eu…
- Não! Não fala nada, esquece esse assunto.
- Mas Rafael, você precisa saber…
Como assim, será que ela resolveu usar esse momento para me revelar que caga… Melhor ficar longe desse banheiro, não quero nem correr o risco de sentir qualquer cheiro.
- Eu não preciso saber de nada, o que você faz no banheiro é problema seu.
- Mas, Rafael, é uma má notícia, você não vai gostar…
Lógico que é uma ma notícia. Desde quando saber que sua namorada caga seria uma boa notícia?
- Rafael, que cara é essa? Eu vou falar…
- Não.
- Eu vou falar…
- Não.
- Vou falar…
Tudo bem vai, vai ser melhor assim, mais dia menos dias eu teria que encarar…
- Então fala…
- Eu fiquei menstruada, demorei porque tive que me limpar e colocar o absorvente.
Ufa. Graças a Deus. Ele existe, e minha namorada não caga. Ela não fez o que eu achei que ela tinha feito. Foi só uma menstruaçãozinha, tem todo mês, a gente já tem intimidade para isso, e os absorventes estão aí para isso, não é mesmo?
- Tudo bem, benzinho, vamos para a festa?
- Vamos.
Agora é só administrar a festinha meia-boca, amanhã viagem para praia, e a gente passa o final de semana inteiro… Peraí… Não pode ser… Menstruação…? Como assim? E o nosso…
- Amor, você está menstruada! E o nosso final de semana?
- Eu sei, Rafael, foi isso que eu tava tentando te falar. Desceu…
Desceu o caralho. Digo, o meu caralho. Filha da puta. Não acredito, vou passar dois dias na praia sem porra nenhuma. Até a TV para instalar o Playstation não vai dar pra levar. Desgraçada, quem mandou ficar menstruada logo agora! Porque você simplesmente não estava cagando, ao invés de ficar menstruada? Porque você não é simplesmente uma cagona que precisa dar três descargas para o cocô descer? Porque? Porque? Tá vendo, Rafael, um cocozinho nem ia ser tão mal assim.
Essa é uma homenagem ao querido Sérgio Reis, que nos deixou hoje
+ Junho, 23, 1940
+ Novembro, 03, 2008
Todas as manhãs quando eu acordo
Eu me lembro de você
Todos os momentos do meu dia
Não consigo te esquecer
Diga meu amor o que é que eu faço
Pra não me lembrar do seu abraço
Eu preciso te esquecer
Entro no meu carro e ligo o rádio
E uma canção me traz você
Tudo que eu vejo de bonito
Se parece com você
Diga meu amor o que é que eu faço
Eu preciso arrebentar de vez os laços
Que me prendem a você
Chuva fina no meu para-brisa
Vento de saudade no meu peito
Visibilidade distorcida
Pela lágrima caída
Pela dor da solidão
“É impossível ser ridículo dentro de um Mercedes” Nelson Rodrigues
Existem dois tipos de carro: todos os outros, e o Fiat Uno. Quer dizer, pensando bem, existe apenas um tipo de carro: todos os outros. Porque o Fiat Uno não é um carro. Está longe de ser um. Eu já escrevi aqui que o cocô tinha que acabar. E agora, cheguei a mais uma conclusão: o Fiat Uno tem que acabar também.
Desde que eu comecei a andar com um, toda quarta-feira, minha vida mudou. Eu passei a entender melhor o mundo que a gente vive, entender o que é ser uma minoria, o que é ser invisível para a sociedade. Se você acha que o mundo é feito de pessoas maldoas, mal educadas e mau-intencionadas, experimente dirigir um Fiat Uno. Você vai descobrir que ela são bem piores que isso.
Eu não sei bem como tudo começou. Só sei que estava dirigindo pela rua da minha casa, quando de repente, um carro estava logo atrás de mim, roçando na minha bunda… Ops, na bunda do Uno, tentando me ultrapassar… Mas como assim, minha rua tem trinta metros, que pressa é essa? Foi aí que eu aprendi a lição número: ninguém quer ficar atrás de um Fiat Uno. É humilhante. Você nunca vai ver o retrovisor de um Fiat Uno vazio. Sempre vai haver um carro nele, talvez dois, três. Não importa quantos, eles estarão tentando te ultrapassar. E não tente bancar o esperto, acelerar mais do que o normal para mostrar que você é um Uno diferente dos outros. As coisas só pioram.
Eu contei isso para um amigo, e ele me perguntou: “Aonde você arruma tempo para pensar essas idiotices?” No cruzamento, respondi. E esta é a regra número dois: ninguém dá passagem para um Fiat Uno. Não adianta dar seta, não adiantar botar o braço para fora, nem imbicar o carro. Ninguém dá passagem. Alguém que tem um Palio 2000, se sente superior a você (ta, meu carro é simples, ta velhinho, mas eu não precisei apelar e comprar um Uno não, meu amigo, então passagem é o caralho). Acredite, eles pensam assim. E não dão passagem nem fudendo.
Chega uma hora, dentro de um Fiat Uno, que você já não sabe se as pessoas estão olhando para você com ódio, com amor, se elas te fecham porque não têm coração, ou porque você não tem um carro de verdade. Não custa nada perguntar. Regra número três: com o Fiat Uno, você nunca está sozinho. As paredes do Uno são muito finas, o chão é fino, o vidro é fino. O Fiat Uno é um grande desperdício como um carro, é lataria à toa no mundo, porque se você bate em um motoboy, não acontece absolutamente nada com ele. Nem um arranhãozinho. Mas que os motoboys não me levem a mal. Inclusive, agora que eu ando de Fiat Uno, eu até fiquei brother deles, porque, em um Fiat Uno, o Motoboy bafora na moto ao lado, você sente. O tio da lotação peida, você sente. O carro atropela um saco de lixo, você sente. E enquanto você sente tudo que acontece lá fora, quem está lá fora também sente algo de você: pena. Em alguns momentos, é até bonito de ver. O molequinho que faz malabares no sinal, por exemplo, ele entende a sua situação. Em vez de perder tempo com o seu Uno, ele apenas dá um tapinha na suas costas e diz: “Pô, tio, é nóis” (aperto de mão e soquinho) e pula seu carro.
Mas não é o moleque dos malabares que pula seu carro não. Regra número quatro do Fiat Uno: uma mulher nunca vai dar para alguém que anda de Uno. Ah, lógico que sim, o que importa é a beleza interior… Beleza interior é o caralho, sua baranga. Você já entrou dentro de um Fiat Uno? O interior dele é mais feio ainda que a parte de fora. E parece que as mulheres sabem disso, porque elas simplesmente ignoram a presença de um Fiat Uno na rua. A única chance de uma mulher olhar para você dentro de um Fiat Uno é quando ela está tentando olhar para o carro ao lado, e você está atrapalhando. Tá bom, ta bom, realmente tem alguma chance de alguém olhar para você, mas elas fazem uma cara de desiludida sabe. “Pô, até que ele é bonitinho, mas um Uno…?”. Enquanto eu olho para ela com a mesma cara, pensando: “Pô, desculpa, eu juro que tentei, mas meu pai é muito mal…”
Não é mania de perseguição não. Mas eu tenho uma reputação a zelar. Imagina se a Musa do Boa Mesa me vê dentro de um Uno. São três meses de puro flerte, jogos de sedução na balança e no caixa, poses provocativas, piscadinhas, reboladinhas (juro que uma vez ela rebolou pra mim, mas ninguém acredita) jogados no lixo. Ela nunca mais ia bisbilhotar o meu Orkut, pedir para as amigas tentarem escutar minha conversa, esperar eu levantar para pegar a sobremesa para pegar a dela também. E o nosso amor se perderia, tudo por causa de um Fiat Uno.
Em seis meses dirigindo este carro, só teve uma pessoa que não achou o Fiat Uno um carro invisível: o assaltante que levou ele late Campinas. E daí eu descobri a regra número cinco: além de ser um carro de merda, o Fiat Uno ainda é um dos carros preferidos pelos ladrões. Como é que pode né? Aonde este mundo vai parar, nem um Fiat Uno eles perdoam mais. E aí eu tive que ir para a delegacia fazer B.O., tive ligar para o seguro e ficar quinze minutos na espera, tive que achar um monte de documentos que eu nem sabia que existiam. Mas o pior ainda estava por vir: a pior parte de ter seu Fiat Uno roubado, é que a seguradora consegue encontrar o carro, batido por sinal. Porque aquela porra pode vir sem nada, mas a merda do localizador, eles colocam.
Eu juro que tentei gostar do Fiat Uno. Mas ele nunca fez o menor esforço para eu gostar dele. Podem me criticar, podem me chamar de fútil, de playboy de merda, só não me atirem pedras, por favor, porque as paredes e os vidros do Uno são muito finas, vai me machucar. Mas é que o Fiat Uno acaba com você, ele acaba com a sua auto-estima, diminui você, e carro importa sim. Não existem argumentos contra uma X5, por exemplo. Ela ganhou, você perdeu. Tá bom, apelei vai. Peguem um Celtinha usado, um fusquinha tunado, uma lambreta. Eles ganham, o Fiat Uno perde.
Eu podia terminar dizendo para você nunca na vida andar de Fiat Uno. Mas, pelo contrário, acho que você deveria andar urgentemente com um. Ele tem muito para te ensinar.
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“Quando os ETs aparecerem por aqui, eu quero um minuto a sós com eles para deixar claro que eu não tenho nada a ver com tudo isso.”
Pessoal, vou sair com a Pri no sábado, e tava precisando de um amigo pra sair com a irmã dela. Alguém topa?
Ah, minha musa, se você ao menos me dissesse o seu Orkut. Porque uma hora e meia de almoço por dia é muito pouco para olhar você por completo.
Se eu ao menos pudesse saber qual é a sua frase “metade de mim é amor a outra metade também” favorita no seu about me, ou qual é a sua música “Tears in Heaven” preferida na seção músicas. Ou talvez saber quem é o filho da puta que te deixou um scrap. Juro que fuçava o Orkut dele só para ele se sentir intimidado. Você ia gostar, não ia? Ah, outra coisa: eu queria tanto saber quais são suas fotos… Diz que tem uma de você e suas amigas causando na Pacha, diz? Eu sonho com essa foto desde o primeiro dia em que eu te vi.
Ah, não, minha musa, diz que não é verdade essa história que estão me falando. Você não põe cadeado no seu Orkut, põe? Tudo menos isso, você por acaso quer me matar do coração? Já não chega te ver apenas uma hora e meia por dia, agora você ainda quer me privar de ver suas fotos. Por favor não.Você quer que eu faça o que, te peça autorização? E o que eu vou escrever? Esqueceu que você só add com scrap?
Mas calma, desculpa, eu não queria ter me exaltado assim. Longe de mim começar a nossa relação com uma briga boba dessa. A gente pode ter brigas muito melhores pela frente. Ter discussões sérias de relacionamento, daquelas de jogar verdades na cara, ficar sem se ver, ligar para o ex-namorado, dizer que o Teixeira te xavecou no trabalho. A gente pode brigar pelo filme que a gente vai ver no final de semana, se o almoço de domingo é na casa da sua ou da minha mãe. Imagina só, a gente pode ter um filho e depois ir brigar pela pensão na frente de um juiz, não seria uma briga daquelas? A gente ia se odiar para sempre. E eu aqui, querendo discutir porque você só add com scrap?
Desculpa, minha musa, eu faço tudo errado mesmo. O problema não é você, sou eu, que insisto em ficar só te olhando, te idealizando, enquanto eu já podia a essa altura conhecer todos os seus defeitos. Imagina só, quantos joguinhos a gente já podia ter feito juntos? “Ligo hoje já e pareço afobado ou ligo só amanhã?” de um lado, e “Vou atender ele no terceiro toque hoje, mas dizer que só posso sair amanhã” do outro. Ou “Hoje eu não vou tentar comer ela pra não parecer um tarado” de um lado, e “hoje eu não vou dar pra ele para não parecer uma tarada” do outro.
Quantas histórias chatas você já podia ter me contado? Quantas amigas maluconas, maluquetes, iradas que você tem, e que causam mesmo quando saem para curtir eu já poderia ter conhecido. Imagina que legal que ia ser, eu sentar com elas na mesa de bar e ouvir: “Ai, desculpa, Rafael, é que a gente é muito maluca” ou “Ai, gente, ele já deve estar horrorizado com as coisas que a gente tá falando” ou “Não, gente, na boa, não conta esse super hiper mega podre da nossa trip pra Juquehy na Páscoa, é muito queima filme.”
Eu já podia ter apresentado você para minha mãe. Você tem que ver como minha mãe é quando a gente traz mulher aqui em casa: ela fica toda falsinha, fala de um jeito super meiguinho, põe a mão na boca e fala “que horror” se alguém diz um palavrão. É demais, daria um Oscar. E eu também podia ter conhecido a sua mãe, a sua avó, podia até já ter feito aquela disputa de quem tem o pau maior com o seu pai. Eu podia também já ter ido ao aniversário do seu priminho que acabou de completar três anos. Mas não, eu prefiro ficar só te olhando.
A gente podia já ter virado um daquelas casais que a gente sente pena quando senta ao lado no restaurante. Sabe, um fala e o outro discorda só para fazer birra. O outro fala, e o um diz que é mentira. Eu já podia ter dito que você sonha demais, que devia aterrisar e ser mais realista, enquanto você podia ter me dito que as coisas não estão boas como estão, e que você queria que eu surpreendesse mais você. Melhor, minha musa, a gente podia simplesmente não ter mais assunto para conversar no restaurante. E ficar um sentado em frente ao outro, só pensando (eu, pelo menos), porque a gente não ficou só se olhando?
A gente podia estar um atrapalhando os planos do outro. Eu já podia ter impedido você de fazer a pós que você tanto sonha em fazer no exterior. E você me impedido de mudar para um emprego porque a gente ia se ver pouco. A gente já podia ter realizado o sonho que não é nosso, mas dos nossos pais, dos nossos avós, e se casar, fingindo um para o outro e para si mesmo que é isso mesmo que a gente quer da nossa vida, e que não, a gente não está fazendo uma grande cagada.
Ah, minha musa, a musa do Boa Mesa. Você é linda, estilosa, e eu posso jurar, que nunca vi alguém servir uma salada e pesar um prato com tanto charme quanto você. Que garota de Ipanema que nada. Ser charmosa de biquíni rebolando na praia é fácil. Quero ver lá, no restaurante por Kilo do dia-a-dia, servindo o toucinho na feijoada da quarta-feira. E você consegue ser.
Eu prometo continuar olhando exclusivamente para você nos meus almoços no Boa Mesa. Prometo também, que nem darei bola para uma ou outra gostosinha que aparecer por lá num dia e sumir no outro. Eu sei dar valor a quem realmente gosta do Boa Mesa, e sei diferenciar as freqüentadoras assíduas, como você, das aventureiras que não conhecem o nome de uma garçonete sequer.
Agora, te conhecer… Ah, minha musa, daí eu já não sei. Tá tudo tão bom, minha vida tá tão tranqüila… Será que eu não podia ficar aqui, sossegado no meu canto, só te olhando?
“Quando eu morrer, não quero que o meu biógrafo perca tempo ocultando minhas amantes. Prefiro que oculte meus casamentos.”
Queime-se, fique ardido, dolorido, vermelho, pra largar de ser bobo.
Pense negativo, sempre. Assim você vai estar mais preparado para a derrota. Porque não adianta, a mesa sempre vence, e, cedo ou tarde, você vai perder. As pessoas vão olhar para você com cara de pena, você vai ter pena de você mesmo, vai ser ridículo, humilhante. E na hora de perder, perca sem estilo, seja um mau perdedor. Se for jogando bola, dê pontapés, chute no saco, cuspa na cara, seja expulso. É melhor do que ficar até o final do jogo para ouvir os adversários rindo da sua cara.
Ouse menos. Na maioria das vezes que você inventa de fazer algo, é uma bela de uma cagada. Então não vale a pena nem tentar. Se eu fosse você, nem saía de casa, da cama. A partir do momento que você põe os pés no chão pela manhã, esteja certo, a chance de sair uma cagada é enorme. Quem espera nunca alcança, mas também não corre o risco de alcançar merda. Por isso, não seja idiota, não acredite em quem diz que você pode, porque você não pode.
Aliás, não acredite nunca na sua mãe. Ela sempre está mentindo. Se ela disse que você consegue, é mentira, você não vai conseguir porra nenhuma, e vai ser deprimente para você e para ela ver a sua derrota. Se ela disse que você não consegue, é porque ela tem medo de você conseguir. Então, no fundo, ela torce para a sua derrota. Portanto, não acredite na sua mãe, ela está mentindo. E se ela disser que você bonito, bom, essa acho que eu nem preciso falar nada.
Ao contrário do que diz o comercial, você está gorda sim, e ser gordo é feio. Emagreça urgentemente. Tenha vergonha de se olhar no espelho. Leia as revistas de beleza sim, porque aquilo é ser bonito. Ditadura da beleza é o caralho, cria vergonha na cara e vai emagrecer. Corra, come menos, vomite depois do almoço, dê um jeito. Mas não inventa de fazer uma lipoaspiração e depois comer tudo de novo. Aproveita que você é jovem e ainda dá tempo de ver o seu corpo com tudo em cima uma vez na vida. Se você já é velho, aí, deixa pra lá, tenta na vida que vem.
Preocupe-se com o seu futuro. Tenha insônias, pesadelos, vomite, mas não fique pensando que tá tudo bem deixar pra daqui a pouquinho. Não está tudo bem. Se você tem 20 e poucos anos e não sabe o que quer da vida, você é um desocupado, um inútil, um coitado, que precisava ter apanhado mais quando era pequeno. Agora, fica aí, com essa cara de bobo, sem fazer porra nenhuma, tendo que encarar seu pai, que olha para você e pensa: “Puta que o pariu, onde foi que eu errei?” Você só dá prejuízo, sabia?
Minta bastante quando precisar mentir. Se o chefe perguntar porque você faltou, diga que sua avó morreu, mesmo que isso ainda esteja prestes a acontecer. Mas saiba que tem horas, que você deve falar a verdade. Se você estiver de mau-humor, e alguém disser: “Oi, tudo bem?”, encha o peito e diga: “Tudo bem tá com a tua mãe, aquela vaca.”
Fale mais palavrões. Horrorize sua avó e sua tia-avó. (Pra que serve uma tia-avó mesmo?). Repita comigo: Porra, caralho, merda, foda-se. Agora saia falando, encaixando na frase do jeito que você achar melhor.
Se alguém te elogiar, chame de puxa-saco. Se alguém de criticar, manda se fuder. Se você achar que você é bom, seja arrogante e estúpido. E se você achar que você é uma merda, seja arrogante e estúpido também. O que importa é ser sempre insuportável.
Talvez você namore, talvez não. Talvez você case, talvez não. Mas corno, meu amigo, você vai ser. De um jeito ou de outro. Então larga a mão de ser bobo e traia.Traia geral, passe o rodo. Porque o namoro vai terminar, o casamento vai acabar. E um dia, pode ter certeza, a únicas memórias boas que você vai ter da sua ex- mulher serão das vezes que você a traiu.
Não dance, nem que seja em frente ao espelho. Você é tão ridículo dançando, que nem você merece se ver. Nunca dance na balada. Primeiro porque dançar é coisa de viado. Segundo porque, insisto, você é ridículo dançando. Se importe com que os outros pensam, é muito importante sim, pára de fingir que você não liga. E saia da comunidade do Orkut em que você diz que não liga, pára de ser ridícula!
Nunca atenda o seu celular. Faça a pessoa deixar uma mensagem irritada na sua caixa-postal, mas nunca atenda o seu celular. Assim, talvez, você acabe com o bom-humor dela. E isso será ótimo, porque bom-humor é uma merda, deixa você um idiota.
Não aceite as coisas como ela são. Xingue a sua tia-avó, ela já está há tempo demais aqui na Terra. Chute seu cachorro, mande ele ir pedir carinho para tua mãe. Destrua um castelo de areia. Buzine atrás de um carro da Auto-Escola. Não ajude uma velhinha a atravessar a rua. Estrague a festa. Seja sempre o estraga-prazeres. Cometa uma gafe propositalmente. Critique. Ache os defeitos. Ache que o copo está meio vazio. Ofenda gratuitamente. Inveje. Torça contra. Peide e ponha a cara dntro da coberta para cheirar. Apague as velinhas no lugar do seu priminho. Mande todo mundo ir se fuder.
Pense mais vezes no suicídio. Cara, não sei se te falaram, mas pode ser que você viva uns 90 anos, e não faça porra nenhuma da vida. Então, porque não acabar com isso logo? Se mate sem avisar, para dar susto e prejuízo para quem ficou. Atrapalhe mesmo quando você não estiver mais aqui. Deixa as pessoas se perguntando: “Putz, será que a culpa foi minha”. Vai ser engraçadíssimo. Só não cometa a idiotice de tentar se matar e não conseguir. Porque aí, você não vai ser engraçado, vai ser patético.
E a próxima vez que alguém falar que você devia ver o vídeo do filtro solar do Bial, mande essa pessoa se fuder.
Para terminar, nunca esqueça deste conselho: deixe de usar o filtro solar. É coisa de viado.










